BTG Pactual negocia compra de ativos do Banif


Valor Econômico – 04/01/17

Depois de desistir de comprar 100% do banco Banif Brasil em agosto, o BTG Pactual está em negociações para adquirir uma série de ativos da instituição financeira de origem portuguesa que enfrenta falta de capital.

Ontem, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a “potencial” compra pelo BTG de uma participação de pelo menos 36,19% das ações do capital votante e total da incorporadora LDI Desenvolvimento Imobiliário que pertencem ao Banif. A empresa, que ainda tem como acionistas as famílias Buazar e Lindenberg, atua em incorporação, urbanismo, shopping centers e construção. No fim de 2015, a LDI reunia um total de R$ 935 milhões em ativos e um patrimônio líquido de R$ 496 milhões.A operação aprovada pelo Cade considera ainda a potencial outorga de opção de compra de pelo menos 4,3% do capital da Real Estate Partners Desenvolvimento Imobiliário e também de uma carteira de créditos vencidos. O valor da transação não foi divulgado.

O Valor apurou que as tratativas para a compra desses ativos está sendo liderada pela área de situações especiais do BTG Pactual, negócio ao qual o banco tem dado bastante atenção recentemente. Em novembro, o banco anunciou a criação da Enforce, empresa de recuperação de crédito que também está debaixo do guarda-chuva de situações especiais do BTG, depois de ter de vender a Recovery em dezembro de 2015, em meio a uma crise de liquidez detonada pela prisão de seu ex-controlador André Esteves. Procurado, o BTG não comentou o assunto. A aquisição de ativos do Banif também envolve um fundo de investimentos em participações do BTG Pactual, o Development Fund Warehouse.

Para o Banif, a transação deve trazer algum tipo de alívio, ajudando a instituição a sair do sistema financeiro de uma forma organizada. O banco sofreu intervenção do governo português no fim de 2015 e teve alguns ativos vendidos para o Santander. Desde então, o destino da subsidiária brasileira é incerto. No terceiro trimestre do ano passado, o banco registrou um prejuízo de R$ 130,5 milhões. Com isso, o patrimônio de referência ficou negativo em R$ 95,5 milhões. Esse indicador serve de base para o cálculo do valor mínimo de capital que um banco precisa ter para operar.

Além da venda desses negócios para o BTG, as autoridades brasileiras negociam com o fundo de resolução português, que ficou responsável pela parte do Banif que não foi vendida, a transferência de ativos para a unidade brasileira do banco, segundo fonte a par do assunto.

Sem conceder crédito, o banco tem pago caro para manter a operação no país, com um custo de funding estimado em até 130% da taxa interbancária. A única fonte de captação ainda disponível para a instituição era o DPGE I – depósito com garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa opção, porém, deixou de existir no fim do ano passado, quando acabou o prazo para a emissão do instrumento sem a necessidade garantias prestadas pelos bancos.