CONGRESSO: Acordo de Livre-Comércio União Europeia – Mercosul

“Assinatura do Acordo de Livre-Comércio entre Mercosul e União Europeia levará Brasil a outro patamar”, diz chefe Divisão de Negociações Comerciais com a Europa e a América do Norte do Itamaraty

A fala ocorreu durante Ciclo de Conferências – Acordo de Livre-Comércio entre União Europeia e Mercosul, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (IBREI) e a Católica Lisbon School of Business & Economics – da Universidade Católica de Lisboa.

O evento reuniu aproximadamente 300 convidados no Palácio Tangará e teve palestras de executivos de importantes entidades como a Confederação Nacional de Comércio Serviços e Turismo, Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), Câmara de Comércio Internacional (ICC), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio-SP) e a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP).

Na última segunda-feira (28), ocorreu no Palácio Tangará, em São Paulo, a abertura do Ciclo de Conferências – Acordo de Livre-Comércio entre União Europeia e Mercosul. Resultado de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (IBREI) e a Católica Lisbon School of Business & Economics – da Universidade Católica de Lisboa, o evento teve como objetivo o estreitamento de relações entre o setor público e o setor privado a fim de mostrar às lideranças empresariais do país a importância da assinatura do tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.  Com aproximadamente 300 participantes confirmados, os painéis de discussão foram ministrados por Negociadores-chefe e Autoridades dos principais países envolvidos bem como por representantes das maiores empresas e entidades representativas setoriais como confederações, federações e associações empresariais. 

Paula Aguiar Barbosa – Chefe da Divisão de Negociações Comerciais com a Europa e a América do Norte do Itamaraty – garantiu que a assinatura do acordo “levará o Brasil a outro patamar”, influenciando na economia do País. “A União Europeia é uma grande investidora no Brasil, pois, em 2015, R$ 230 milhões foram aplicados aqui”, explica Barbosa ao destacar que, atualmente, o País também negocia acordos com Bruxelas, Genebra e Canadá.

No entanto, a palestrante destacou que o Brasil ainda é um País muito fechado para negociações internacionais.  Tal fato é reforçado por Gabriel Petrus, diretor executivo da Câmara de Comércio Internacional (ICC). De acordo com um estudo da instituição, o Brasil aparece em 69º em um ranking com os 75 países de economia mais fechada do G-20. “Agora é o momento de nos abrirmos para o mundo”, alerta.

Bernardo Ivo Cruz, ex-presidente da Câmara de Comércio Luso-Britânica de Londres, acredita que o acordo “é um dos mais importantes para reforçar a dimensão do Atlântico Sul”. O executivo falou sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e os desdobramentos que a medida pode ter. “Eles têm bastante tecnologia, mas com pouca dimensão. Além disso, importam agronegócio e compram mais do que vendem”, aponta Cruz. O palestrante destaca, ainda, que a área de serviços é a mais forte da região. “Em se tratando de Brasil, é muito importante que nosso País estabeleça relações com sua antiga metrópole. Portugal é a plataforma natural para as empresas brasileiras adentrarem no mercado europeu”, relata.

As expectativas do setor privado também foi pauta do ciclo de palestras. De acordo com Rubens Medrano, vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio-SP), o tratado elimina burocracias alfandegárias, o que economiza tempo entre transações. “Isso possibilita ao Brasil ter acesso a outros mercados”, ressalta. No entanto, Medrano pontua que é importante que haja isonomia entre as negociações nacionais e internacionais, permitindo a um país produzir e também usufruir de benefícios.  “O e-commerce no Brasil é preocupante. Por mais que seja bem forte, são as empresas internacionais que têm mais participação”.

Para o esloveno Stefan Bogdan Barenboim-Salej, diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), não é somente um setor que tem que ser beneficiado com o acordo, mas sim todo o País. “Não podemos ver essa assinatura como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade, pois o Brasil precisa se abrir mais e ser competidor a nível mundial”. O executivo destaca que deve haver uma mudança de paradigma para a melhora de resultados. “O chão de fábrica precisa mudar. Precisamos cada vez mais usar a tecnologia como aliada e caminhar para a adoção da Indústria 4.0”.

Por envolver dois dos maiores blocos econômicos do planeta, a assinatura do tratado de livre comércio, prevista para dezembro deste ano, promoverá grande impacto nas relações internacionais do mundo inteiro. “Por esse motivo, é de extrema importância a participação do setor empresarial nas discussões do Ciclo de Conferências. Assim, pode-se conhecer o que está sendo falado e exercer uma participação mais ampla e ativa no desenvolvimento das negociações”, afirma Maurício Prazak, presidente do IBREI.

O Congresso ocorre de forma sequencial em sete países (Bélgica, França, Alemanha, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil).  Em cada um deles, contará com a presença e participação de negociadores internacionais, bem como ministros, embaixadores, cônsules e dirigentes das Câmaras de Comércio dos principais países da União Europeia e do Mercosul.

A Semma participou representando a Comissão de Shopping e Varejo do IBREI.