É alta procura por aluguel de lojas em shoppings de Londrina

Empreendimentos registram grande procura por espaços disponíveis para locação. Ao mesmo tempo, o número de imóveis comerciais de rua para locar em Londrina cresceu 32,22

Fonte Jornal de Londrina
27/04/2014 | 00:01Telma Elorza

Com apenas um ano de funcionamento, o Boulevard Shopping – o mais novo da cidade – comemora números impressionantes. Desde a inauguração, em maio do ano passado, já superou a projeção inicial dos investidores e está com 90% da área bruta locável (ABL), de 47,8 mil metros quadrados, comercializada, segundo o superintendente Fábio Segura. O fato pode ser considerado excepcional porque a maioria dos empreendimentos do tipo leva até quatro anos para firmar a marca e conquistar esse índice de ocupação, segundo responsáveis por diversos shoppings da cidade.

O Boulevard, no entanto, não é exceção no mercado comercial de Londrina. Todos os cinco grandes shoppings mantêm hoje uma alta taxa de ocupação. Depois de mais de uma década sem investimentos na área, nos últimos dois anos a cidade viu seu perfil de comércio mudar, com a inauguração de dois grandes empreendimentos: além do Boulevard, o Londrina Norte.

Para o próximo ano, a inauguração de outro grande investimento, o Aurora Shopping, na Gleba Palhano, deve movimentar ainda mais o segmento. Somados ao pioneiro Catuaí Shopping e ao central Royal Plaza, os cinco empreendimentos deverão oferecer, juntos, até dezembro de 2015, 850 lojas em mais de 180,5 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL).

Imóveis de rua
Coincidentemente ou não, o número de imóveis comerciais de rua para locar em Londrina cresceu 32,22% entre março deste ano e o mesmo período de 2013, segundo dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar/Secovi).

Quem circula pelas ruas de Londrina vê muitas placas de “aluga-se”. A migração do comércio de rua para os shoppings parece ser um movimento irreversível. Nenhum dos responsáveis pelos shoppings, no entanto, confirma o fato de que os centros comerciais estejam “roubando” lojas do comércio de rua. Segundo eles, os empresários estão apenas expandindo seus negócios. “Temos casos como a Léo Cosméticos, que estava apenas na rua e inaugurou sua primeira loja em shopping conosco. Temos outros casos de marcas que estiveram na cidade anteriormente e hoje estão apenas no Boulevard como Levi’s, Santa Lolla e BarZera”, diz Fábio Segura.

Royal Plaza
O diretor comercial do Royal Plaza, Osmani Vianna, diz que, nos últimos três anos, o empreendimento vem registrando 100% de locação, inclusive dos quiosques. Hoje, há uma única loja para locação e uma fila de interessados. O locatário será selecionado entre aqueles que ofereçam produtos e serviços diferentes no local. “Temos uma preocupação de oferecer um mix de lojas que traga diversidade de produtos e serviços ao nosso cliente.” Vianna afirma que não percebeu lojas fechando no centro para se instalar em shopping. “Pelo contrário, vimos lojas que estavam apenas no shopping abrir outras unidades também no centro.”

BR-Malls
O Catuaí Shopping Londrina e o Londrina Norte Shopping, ambos da mesma administradora, a BR Malls, não quiseram se manifestar sobre a procura de áreas locáveis. De acordo com a assessoria de imprensa dos dois empreendimentos, eles pertencem a uma empresa de capital aberto e, portanto, não é possível divulgar qualquer informação de cunho comercial-financeiro sem que os investidores sejam previamente informados.

Vai faltar imóvel comercial, avalia diretor

Fernão Galindo, diretor da Galmo Engenharia, responsável pelo Aurora Shopping, tem um ano e meio para trabalhar a locação dos espaços do novo centro de compras. E, por enquanto, a procura pelas lojas está superando as expectativas. Entretanto, ele vê no Brasil um “ciclo econômico normal”. “Hoje o mercado tem muitas lojas para locar, porque parece que o país inteiro está em compasso de espera. Mas em 2015 e 2016 vai faltar imóvel comercial.”

Segundo ele, esses ciclos de baixa procura por locação duram de três a quatro anos. A tendência é de que os shoppings abocanhem boa parte do comércio de rua. “Além de oferecer um mix de produtos, a comodidade do ambiente climatizado, da segurança e do horário diferenciado, os shoppings oferecem o estacionamento, um problema que afeta todos os setores.”

Os shoppings não reconhecem a concorrência no que diz respeito à locação de espaços ou de públicos. Sobre os clientes, o argumento é de que as pessoas frequentam shoppings mais próximos à sua residência ou locais de trabalho, desde as lojas atendam às expectativas. “O empreendimento tem que trabalhar para cobrir as necessidades do bairro onde está instalado. Na Gleba Palhano, por exemplo, onde os terrenos são grandes e caros, o Aurora Shopping vai ter que atender necessidades básicas como padaria, farmácia, lotérica, cabeleireiros, sapataria e outros serviços.”

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