Varejo em alta tira projetos da gaveta


Seis meses após inaugurar um grande shopping em Salvador, o Grupo JCPM anunciou a construção de um novo mega empreendimento em Recife, com mais de 98 mil m de Área Bruta Locável (ABL). “O mercado passa por um momento econômico muito bom e a cidade, que é sede dos nossos negócios, merece um grande shopping”, afirma João Carlos Paes Mendonça, principal executivo do grupo. Com o nome de RioMar, o empreendimento vai integrar um centro empresarial com três torres de escritórios.Outro grupo tradicional do setor e com grande experiência no Nordeste, o Aliansce, também está com um novo projeto em andamento. Proprietário do veterano Iguatemi Salvador, que já tem 35 anos de atuação, o grupo planeja lançar em breve o Shopping Maceió, no bairro Jatiuca, com 35,4 mil m de ABL, integrado a um complexo que inclui hotel e prédios comerciais e residenciais. “A demanda por centros comerciais no Nordeste vai crescer mais”, diz Everton Visco, diretor regional da Aliansce. Por isso, além do novo investimento em Maceió, o grupo programa a expansão dos outros shoppings que possui na região. “O Iguatemi de Salvador está indo para a quinta ampliação”, destaca No Ceará, o Grupo Marquise, líder do mercado regional de Construção, anuncia seu primeiro shopping. “Nossos estudos identificaram uma oportunidade de mercado muito promissora”, explica Aristarco Sobreira, diretor comercial do grupo. Ainda sem data para inauguração, o empreendimento será erguido em Parangaba, tradicional bairro de classe média de Fortaleza, que ainda não conta com nenhum centro comercial. “O empreendimento seguirá o perfil de público daquela área, com mix de lojas bem variado e projeto arquitetônico marcante”, antecipa Sobreira.A SMA, que tem empreendimentos em todo o Brasil, inclusive em Alagoas, onde investiu no Pátio Shopping de Maceió, inaugurado em 2009, prepara novo lançamento em Arapiraca, no interior do Estado. “Estamos seguindo os bons ventos do crescimento nordestino. Nem fizemos o lançamento oficial e já temos mais de 50% das lojas negociadas”, revela Samuel Hanan, diretor da empresa. 

Satisfeito com os resultados do empreendimento lançado no ano passado em São Luiz (MA), o Grupo Sá e Cavalcanti informa que está com três novos projetos nordestinos na prancheta, dois em capitais e um no interior. “O que nos impulsiona a investir na região é a incrível demanda dos grupos de varejo por um espaço em shopping no Nordeste. 

Quem está fora quer entrar e quem já está quer ampliar”, ressalta Leonardo Cavalcante, diretor-superintendente da SC2, empresa do grupo que administra a área de shoppings. “Comercializamos o Shopping Ilha em tempo recorde e atraímos um número de lojas do sul e sudeste muito maior do que tínhamos previsto. Então, precisamos atender a essa demanda”, conclui. 

“Do varejo no Nordeste só temos notícia boa”, diz Jacqueline Braga, executiva do Ambiente de Desenvolvimento do grupo cearense North Empreendimentos que administra quatro shoppings na região metropolitana de Fortaleza e está investindo em novo equipamento na cidade de Caruaru. Os números de 2009 justificam seu otimismo: as vendas globais dos shoppings da North cresceram 12%, enquanto o varejo brasileiro avançou 5,9%. De janeiro a maio de 2010, o volume de venda teve um incremento de 27,46%. “Este ano está sendo muito melhor do que o esperado. Em maio, normalmente um período de vendas fortes, tivemos crescimento de 29,8% nas vendas globais”, assinala.

O bom desempenho dos shoppings nordestinos é apenas um dos fatores que explica o ritmo acelerado de novos lançamentos. “Muitos projetos, adiados em função da crise de 2008, estão saindo da gaveta neste início de ano”, explica Marcos Semenzin, diretor comercial da Semma, empresa especializada em planejamento e administração de shoppings. “O Nordeste não sentiu os efeitos da crise e sua economia cresceu mais do que no resto do Brasil. Portanto, é natural que atraia o foco dos novos investidores”, observa. 

A consolidação desse cenário atua como forte atrativo para as empresas do varejo nordestino. Na realidade, o aumento de renda das classes C, D e E foi mais acentuado e consistente do que em outras regiões do país. “Os programas de distribuição de renda tiveram maior impacto positivo por lá”, afirma o diretor da consultoria Organizzare, Maurício Faganelo, especializado em Geografia Econômica e estudos de viabilidade de varejo. Ele acrescenta que, de acordo com a PNAD/IBGE, de 2003 a 2008, a classe C cresceu 63,75% no Nordeste, enquanto no Brasil a expansão foi de 31,04%. “A acentuada ascensão social das classes de menor renda na região Nordeste fortaleceu a capacidade de consumo e atraiu o investimento do setor de varejo”, diz.

 

Fonte: Valor Econômico